Defesa da PM que matou mulher em SP alega legítima defesa: 'Efetuou um único disparo'

  • 11/04/2026
(Foto: Reprodução)
Polícia Civil apura demora no resgate de Thawanna A defesa da policial militar Yasmin Cursino Ferreira, autora do disparo que matou a ajudante geral Thawanna da Silva Salmázio na madrugada do dia 3 de abril, na Zona Leste de São Paulo, alegou que a cliente agiu em legítima defesa e afirmou que a PM é inocente. "Estando no exercício da função, ela foi agredida e efetuou um único disparo para cessar a escalada das agressões por parte da vítima", apontou o advogado Alexandre Guerreiro. "Importante pontuar que a equipe acionou o socorro imediatamente e deu ciência as autoridades competentes", completou. Testemunhas que presenciaram a abordagem contestaram a versão apresentada por policiais de que a vítima teria dado um tapa no rosto de Yasmin. O empreendedor Erick Levy afirmou à TV Globo que viu a viatura avançar na direção de Thawanna e seu marido e descreveu uma escalada de agressões verbais e físicas antes do disparo. No relato, ele também diz que a agressão partiu inicialmente da Polícia Militar. “Eu vi a viatura jogando para cima deles. Foi no momento em que a policial saiu toda agressiva, chamando de 'vagabunda'. A Thawanna falou: 'Vagabunda é você, eu só perguntei porque você jogou o carro para cima de mim'", relatou o homem. "Foi na hora em que as duas começaram um embate de agressões verbais. A policial deu um murro nela e chutou as partes íntimas dela. A Thawanna foi para trás, deu uma respirada, e deu um tapa na mão da policial. A policial foi para trás e deu um tiro na Thawanna." Linha do tempo Uma sequência de registros oficiais e imagens de câmera corporal aos quais a TV Globo teve acesso revela como se deram os mais de 30 minutos entre o disparo que atingiu Thawanna e a chegada do resgate. Às 2h59, por meio do registro feito pela câmera corporal do soldado Weden Silva Soares, é possível ouvir o som do tiro dado pela PM Yasmin Cursino Ferreira. Na sequência, ainda com a vítima no chão, o policial questiona a colega: “Você atirou? Você atirou nela? Por quê, ca***?” A policial responde: “Ela deu um tapa na minha cara”. Segundos depois, o próprio soldado chama o Centro de Operações da Polícia Militar: "Copom, Rua Edimundo Audran, aciona o resgate”. O pedido é reforçado pouco depois: “Copom, aciona o resgate, Edimundo Audran. Menina baleada”. Linha do tempo do atendimento de mulher morta pela PM em SP Reprodução Apesar dos pedidos imediatos, o Copom acionou a central do Corpo de Bombeiros apenas às 3h04, cerca de cinco minutos após a solicitação do PM. Nesse intervalo, o soldado volta a reforçar o pedido de socorro: “Reitero o resgate, Copom”. Às 3h06, uma viatura de resgate dos Bombeiros foi inicialmente empenhada para a ocorrência; Seis minutos depois, às 3h12, essa ambulância foi substituída por outra. Durante esse período, o policial volta a demonstrar preocupação com o tempo de espera: “O resgate vai demorar? “Já está ficando branco o lábio dela. Cadê o resgate? Copom, reitera o resgate pra Edimundo Audran”. A segunda ambulância designada para a ocorrência saiu da base às 3h17; Ela chega ao local às 3h30, cerca de 30 minutos após o pedido inicial de socorro; Às 3h37, a ambulância deixa o local; A viatura chega ao hospital às 3h40, três minutos após sair da ocorrência; No entanto, a ajudante-geral não resistiu aos ferimentos e morreu na unidade de saúde. Segundo o Instituto Médico Legal (IML), Thawanna morreu por hemorragia interna aguda. A médica responsável pelo exame necroscópico apontou que a causa da morte foi a perda intensa de sangue provocada pelo disparo. Socorristas ouvidos pela TV Globo afirmam que a demora no resgate contribuiu diretamente para o agravamento do quadro, já que o ferimento não foi estancado nos primeiros minutos após o tiro. Base dos Bombeiros a 6 minutos Thawanna esperou mais meia hora por resgate, apesar de haver bases do Corpo de Bombeiros a poucos minutos do local do disparo feito pela soldado Yasmin Cursino. O g1 apurou que havia unidades do Corpo de Bombeiros próximas ao local da ocorrência (veja mapa abaixo). A base mais próxima fica na Avenida dos Metalúrgicos, nº 678, em Cidade Tiradentes, a cerca de 6 minutos de distância. A segunda mais próxima está na Rua Luís Mateus, nº 1.000, em Guaianases, a aproximadamente 13 minutos do endereço. As estimativas de tempo foram feitas com base no aplicativo Waze, considerando a mesma faixa de horário da ocorrência, por volta das 3h. O tempo de resposta de meia hora foi ao menos 10 minutos acima da meta de 20 minutos estabelecida pela própria corporação (leia mais abaixo). Veja distância entre bases dos Bombeiros e local do disparo Arte/g1 Câmara corporal mostra ação que PM atirou e matou mulher em SP PM Yasmin atirou no peito de Thawanna após discussão Reprodução Meta da PM é atendimento em até 20 minutos Dados da própria Polícia Militar indicam que o tempo de resposta esperado para ocorrências desse tipo é menor do que o registrado no caso. O Guia de Indicadores 2020-2023 da corporação estabelece como meta que atendimentos de emergência sejam realizados em até 20 minutos, tanto da PM quanto do Corpo de Bombeiros. O mesmo documento, assinado pelo então chefe do Estado-Maior da PM, coronel Fernando Alencar Medeiros, aponta que, em 2019, apenas 58% das ocorrências atendidas pelos Bombeiros ficaram dentro desse intervalo. A meta estipulada era atingir 60%. O g1 questionou a Secretaria da Segurança Pública (SSP) sobre a demora no atendimento e a dinâmica do resgate. Entre os pontos abordados, estão o local de onde saiu a ambulância que atendeu a vítima e o tempo oficial entre acionamento e chegada do resgate. A pasta, no entanto, não detalhou os pontos e afirmou apenas que o caso é investigado. "Todas as circunstâncias são investigadas com prioridade pelo DHPP e por meio de Inquérito Policial Militar, com acompanhamento das corregedorias das instituições envolvidas. Os dois policiais envolvidos foram afastados das atividades operacionais. As imagens das câmeras corporais foram anexadas aos inquéritos e estão sob análise da autoridade policial, integrando o conjunto probatório do caso. Todas as provas, incluindo, além das imagens, os laudos periciais e depoimentos, estão sendo analisadas com rigor. O Corpo de Bombeiros também apura o tempo de resposta no socorro da vítima", disse a secretaria. Guia de Indicadores da PM Reprodução

FONTE: https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2026/04/11/defesa-pm-morte-mulher-sp-alega-legitima-defesa.ghtml


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